Os 11 pratos mais tradicionais da comida da Alemanha
Cerca de 1.500 tipos diferentes de linguiça são produzidos na Alemanha. Esse número, por si só, já diz muito sobre o caráter da culinária local: farta, regional e baseada em séculos de tradição rural.
A culinária tradicional alemã combina carne de porco e de boi, acompanhamentos de batata e repolho, pães de todos os tipos e doces temperados, servidos quase sempre com cerveja e em porções generosas que variam de uma região para outra, desde a linguiça branca de Munique até a massa recheada da Suábia.
Os pratos da gastronomia alemã
A culinária alemã não se resume a linguiças e chucrute, embora ambos ocupem um lugar de honra à mesa. Há pães, ensopados, massas recheadas e uma tradição de doces natalinos que merece um capítulo à parte. No post de hoje, a Civitatis lhe mostra os 15 pratos mais tradicionais da cozinha alemã. Bom apetite!
1. Bratwurst, Weisswurst e Frankfurter
A linguiça é a rainha indiscutível da culinária alemã. Com 1.500 variedades registradas em todo o país, escolher apenas uma seria injusto, mas três delas aparecem em quase todos os cardápios e você as encontrará em qualquer cidade.
- Bratwurst: a mais difundida. É feita com carne de porco moída e temperos, grelhada ou frita, e servida com mostarda e pão, ou acompanhada de chucrute e purê de batata
- Weisswurst: a linguiça branca é uma especialidade de Munique. É feita com carne de vitela e bacon, cozida em água em vez de grelhada, e tradicionalmente consumida apenas pela manhã, antes do meio-dia. Você descasca antes de comer e acompanha com mostarda doce e um pretzel
- Frankfurter: longa, defumada e de sabor suave, essa é a variedade alemã mais conhecida fora do país. O cachorro-quente americano descende diretamente dela, trazida pelos imigrantes alemães que se estabeleceram nos Estados Unidos no século XIX

2. Currywurst, a linguiça de Berlim
Poucos pratos da culinária tradicional alemã têm uma história tão específica. Herta Heuwer inventou a currywurst em 1949 em sua barraca em Charlottenburg, Berlim. Ela conseguiu ketchup e curry em pó com soldados britânicos, misturou-os com outros temperos e serviu o molho resultante sobre uma linguiça de porco grelhada. Ela patenteou seu próprio molho, chamado Chillup, em 1951.
Em seu auge, a barraca de Heuwer vendia 10.000 porções por semana. Atualmente, a Alemanha consome cerca de 800 milhões de currywurst por ano, sendo 70 milhões somente em Berlim. Uma placa comemorativa na cidade homenageia sua criadora, e o Museu Alemão da Currywurst dedica um espaço inteiro a esse clássico do fast food.
Para experimentar uma enquanto conhece a cidade, o free tour por Berlim abrange os monumentos, ruas e praças da capital, e coloca você bem perto das opções de comida e cerveja ao longo do caminho. Para uma experiência totalmente voltada para a gastronomia, reserve o tour gastronômico por Berlim. Não deixe, também, de ler o nosso post sobre o que fazer em Berlim!

3. Brezel, o pão em forma de nó
O brezel, ou pretzel, é provavelmente o símbolo mais fotografado da culinária alemã, e por um bom motivo. Esse pão em forma de nó é assado depois que a massa passa por uma solução de água e bicarbonato de sódio ou lixívia de uso alimentício, o que lhe confere aquela crosta marrom brilhante e seu sabor característico. Macio e elástico por dentro, crocante e salgado por fora. É uma especialidade da Bavária consumida desde a Idade Média e, hoje, é vendida em todas as padarias, estações de trem e mercados do país.
A versão mais famosa é o Bayerische Brezel, grande, com “braços” grossos e macios. Em Munique, cervejarias históricas como a Hofbräuhaus servem-no recém-saído do forno, acompanhado de uma caneca de Münchner Hell, a lager clara pela qual a cidade é conhecida. Se você fizer o free tour por Munique, é fácil comprar um em uma barraca perto da Marienplatz e saboreá-lo enquanto caminha. O percurso termina na Hofbräuhaus, o que é bem prático.

4. Döner Kebab, a invenção de Berlim
Muitas pessoas associam o prato à Turquia, mas o döner kebab, em sua forma atual — pão recheado com carne, salada e molho —, surgiu em Berlim Ocidental em 1972. Seu criador foi Kadir Nurman, um imigrante turco que trabalhava perto do zoológico, na Kurfürstendamm, e que teve a ideia de colocar a carne dentro do pão para que os trabalhadores pudessem comer enquanto andavam.
O prato passou de comida dos trabalhadores turcos a um dos símbolos culinários do país. Existem mais de 16.000 lojas de kebab em toda a Alemanha, e Berlim, com mais de 1.000 delas, é considerada a capital mundial do döner. O setor movimenta cerca de € 3,5 bilhões por ano somente na Alemanha.
A visita guiada pela Berlim alternativa se afasta do centro turístico e percorre bairros onde é fácil encontrar döner e outras comidas de rua, passando pelo bairro de Kopi, pelo mercado Yaam e pelos murais da East Side Gallery.

5. Schnitzel, a costeleta empanada
O schnitzel é de origem austríaca, de Viena. Mas, dada a proximidade entre os dois países, ele faz parte de qualquer lista de pratos alemães há gerações. É uma costeleta de vitela, porco ou frango, empanada e frita, servida com limão, batatas ou salada de batata. É difícil errar com esse prato.
Você encontrará variações por toda a Alemanha: o Jägerschnitzel vem com molho de cogumelos, e o Rahmschnitzel, com molho cremoso. Na Bavária, não vá embora sem experimentar o Schweinshaxe, o joelho de porco assado até a pele ficar crocante.

6. Sauerbraten, o assado que muitos consideram o prato nacional
Para muitos alemães, o sauerbraten é o prato nacional. Suas origens remontam à Idade Média, quando a carne era marinada em vinagre ou vinho por dias a fio para conservar por mais tempo. Hoje, essa técnica persiste mais pelo sabor do que por necessidade.
A carne, geralmente de boi, é marinada por três a dez dias antes de ser cozida lentamente. É servida com um molho espesso agridoce, acompanhada de Knödel e repolho roxo.

7. Salada de batata e chucrute, os acompanhamentos tradicionais
O chucrute é repolho fermentado em seu próprio suco. Suas origens não são alemãs de forma alguma: a prática remonta à China, onde o repolho já era fermentado há mais de 2.000 anos. O método chegou à Europa no século XVI e, na Alemanha, tornou-se o acompanhamento constante de linguiças e carnes.
A salada de batata, ou Kartoffelsalat, é consumida desde o século XVIII e varia de acordo com a região. No sul, é temperada com vinagre e azeite e servida morna; no norte, é mais comum encontrá-la com maionese. Nenhuma das versões é mais autêntica do que a outra, são apenas diferentes.

8. Spätzle e Maultaschen, as massas do sul da Alemanha
Na Suábia, no sudoeste, as massas reinam. O spätzle é uma massa à base de ovo cortada em tiras irregulares e cozida, servida como acompanhamento ou, com queijo derretido por cima, como prato principal sob o nome de Käsespätzle.
O Maultaschen é ainda mais peculiar. São grandes raviólis recheados com carne moída, espinafre e farinha de rosca, que se acredita terem sido inventados por monges cistercienses na Abadia de Maulbronn no início do século XVII. Eles os recheavam com carne durante a Quaresma, quando isso era proibido, e escondiam o recheio dentro da massa para que Deus não visse. Daí o apelido popular: Herrgottsbescheißerle, que significa, mais ou menos, “pequeno truque para enganar o Senhor”.
9. Knödel, os bolinhos que completam o prato
O knödel é a versão alemã do bolinho, embora consideravelmente maior. É feito com pão, batata, farinha ou sêmola, e cozido até ficar macio e levemente pegajoso por dentro. É servido com carnes assadas, ensopados como o sauerbraten ou sopas, embora também exista uma versão doce recheada com frutas e polvilhada com açúcar e canela.
A Bavária é o melhor lugar para experimentar o Semmelknödel (à base de pão) e o Kartoffelknödel (à base de batata), geralmente acompanhados de uma cerveja local.
10. O lado doce: Lebkuchen, Stollen e Bolo da Floresta Negra
A confeitaria alemã é caracterizada pelas especiarias e, acima de tudo, pelo Natal.
Lebkuchen
Originário de Nuremberg, é feito com mel, nozes e especiarias como canela, cravo e noz-moscada, geralmente coberto com uma cobertura brilhante ou uma camada de chocolate. É um dos produtos-destaque dos mercados de Natal alemães, especialmente os da Baviera.

Stollen
O stollen de Dresden tem suas origens no Striezelmarkt, o mais antigo mercado de Natal da Alemanha, que remonta a 1434. Ele já era assado no século XV e, em 1560, os padeiros da cidade já ofereciam aos governantes da Saxônia pães que chegavam a pesar até 35 libras (16 quilogramas). Diz-se que seu formato alongado lembra a entrada de uma mina, uma referência à história da mineração da região. O “Dresdner Christstollen” é hoje uma denominação de origem protegida: somente os stollen assados na região de Dresden podem ostentar esse nome.
Bolo Floresta Negra (Schwarzwälder Kirschtorte)
Sua origem exata é contestada, embora a receita mais citada seja atribuída ao chef confeiteiro Josef Keller, do Café Ahrend em Bad Godesberg, e date de 1915. É feito com pão-de-ló de chocolate, creme, cerejas e Kirschwasser, o licor de cereja da região da Floresta Negra que dá nome ao bolo.
11. Cerveja, Biergärten e Mercados: Onde Experimentar de Tudo
A cerveja acompanha quase todos os pratos da culinária tradicional alemã, e Munique é um ótimo lugar para começar a conhecê-la. A Oktoberfest, o maior festival folclórico do mundo, teve início em 1810 e acontece todos os anos, de meados de setembro até o primeiro domingo de outubro, embora valha a pena confirmar as datas exatas antes de viajar, já que elas variam um pouco. Fora dessas semanas, os biergärten permanecem abertos durante todo o verão.
A culinária tradicional alemã não se resume a uma lista de nomes de pratos. Você a compreende sentado em um biergarten com um brezel e uma cerveja, ou em pé diante de uma barraca de currywurst em Berlim. Cada região tem sua própria versão, da Weisswurst da Bavária até os Maultaschen da Suábia.

Para conhecer a fundo a tradição cervejeira sem precisar esperar pela Oktoberfest, o visita guiada por Munique percorre a história da cidade desde o final da Idade Média em duas horas, passando pelos locais que a moldaram.
O Viktualienmarkt, o mercado de alimentos de Munique, é outra parada obrigatória: você pode comprar nas barracas e comer nas mesas do seu biergarten central. Ele fica a poucos minutos da Marienplatz, no coração do centro histórico.
Em dezembro, as feiras de Natal são a melhor maneira de experimentar Lebkuchen, stollen e vinho quente (Glühwein) de uma só vez. A feira de Nuremberg está entre as mais famosas do país, e de Munique você pode chegar até lá em uma excursão a Nuremberg com duração de cerca de 10 horas. Se preferir ir direto ao berço do stollen, Dresden mantém sua feira de Natal em funcionamento desde 1434.

12. Dicas práticas antes de sentar para comer
Os alemães costumam almoçar entre as 12.00 e as 14.00 horas e jantar bem cedo, entre as 18.00 e as 20.00 horas. O horário de funcionamento dos restaurantes varia de acordo com a cidade e a época do ano, por isso vale a pena verificar antes de sair. Dar gorjeta não é obrigatório, mas é bem-vindo: de 5 a 10%, arredondando o valor total para cima e dizendo o valor final em voz alta ao pagar, em vez de deixar o dinheiro sobre a mesa.
Com “Guten Appetit” antes de comer, “Zahlen, bitte” para pedir a conta e “Prost” ao brindar, você já tem o suficiente para se virar em qualquer Gasthaus ou biergarten do país.

13. Perguntas frequentes
A comida é cara na Alemanha?
Comidas de rua, como döner ou currywurst, geralmente custam pouco, embora os preços exatos variem de acordo com a cidade. Comer em um restaurante tradicional, com um prato de carne e uma cerveja, sai mais caro, mas ainda é acessível em comparação com outros países da Europa Ocidental.
Qual é a comida mais popular da Alemanha?
Em termos culinários, os itens mais populares na Alemanha são as salsichas em suas diversas formas (Bratwurst, Currywurst, Weisswurst), o brezel e a cerveja. Além da comida em si, a Oktoberfest e os mercados de Natal são as tradições que os viajantes mais associam ao país.

O que é um café da manhã típico alemão?
Geralmente leve: Brötchen (pãezinhos) com geléia, frios ou queijo, às vezes acompanhados de um ovo cozido. O café da manhã mais farto, com salsichas, é reservado para ocasiões especiais, não para as manhãs do dia a dia.
Quais são as três principais refeições do dia na Alemanha?
O Frühstück (café da manhã) e o Abendessen ou Abendbrot (jantar) costumam ser refeições frias e leves, compostas por pão, frios e queijo. O Mittagessen (almoço) é tradicionalmente a refeição mais substancial do dia, embora esse hábito tenha mudado nas grandes cidades.
Se você quiser planejar a viagem sem deixar a gastronomia ao acaso, o catálogo completo da Civitatis reúne passeios e excursões de um dia por todo o país, muitos com paradas para experimentar esses pratos em seus locais de origem. E se o seu próximo destino não for a Alemanha, você também encontrará as melhores atividades em inglês em todo o mundo.